Velho Chico, poesia de Zilca Porto

Suas águas romperam o silêncio de anos

Transbordaram seu leito

Trazendo vida

Matando a sede

A fome

Redes cheias

No anzol a isca

Na panela o peixe

Na barriga a certeza

Da fome saciada

O velho chico surpreende

Chega de mansinho

Desbravando

Invadindo

Semeando vida

E na hora de ir embora

Não se despede

Apressado recua

Deitando sobre o leito

Onde repousa sua história

Lendas que sustentam crenças

Onde o sol debruça

Fazendo um espetáculo

Em suas águas

E, cada ribeirinho vive

o apogeu do Velho Chico

Que num deleite se faz mar

E no seu leito

É Rio que corre

Que socorre

Que faz rir o pescador

Que vê o peixe no anzol

E, na rede descansa o corpo e o desejo saciado

Assistindo, extasiado, ao show

Que generosamente o Rio propicia

Ah, Velho Chico, como é bom mergulhar em suas águas e provar da vida que vem de "ti"!

Zilca Souza Porto Capobiango


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