Um dia, mais um dia se passou
Dentro de casa nada mudou
Eu invento, eu quebro, eu
conserto
Eu bagunço e ao mesmo tempo
limpo
Caço agulha em palheiro
Desenterro do baú
coisas que com no dia a dia
não daria tempo pra olhar
Não escolho roupa para sair
Só os pijamas ficaram famosos
por aqui
O refúgio é a janela...
Sozinho eu não estou
Um dia... mais um dia se
passou
E eu tentando entender o rumo
que a velocidade da vida toma
Que parou o mundo...
Só aí eu percebo outra vez Ter
dinheiro não compra
A sua própria vida
Mas te faz viver um pouco a
mais
De quem pouco tem
Eu choro outra vez pedindo a
Deus
Força e abrigo para quem não
tem
E o pico dessa droga passe
logo
para eu poder sair
Mesmo aos poucos acostumando
dentro de casa
Preciso sair
Para ver o sol
Reunir com as melhores pessoas
Tomar um vinho bom
Escolher uma roupa
Enquanto isso não chega vou
tomar meu café
Ficar na janela
Por meu pijama listrado e
contar as estrelas
Olho o céu para ver se todas
elas estão no mesmo lugar
Só assim eu vou poder sonhar e
em um dia acordar
E ouvir nos noticiários
Que o mundo está curado
Para eu poder sorrir
Chorar de felicidades
Dar pulos de alegria e matar a
saudade
Das pessoas que ficaram e
lembrar sempre
Das pessoas guerreiras que se
foram.
Felipe Augusto Santos Pereira
Projeto Cantinho da poesia no Expresso Paratinga.
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