Janela (Covid-19), poesia de Felipe Augusto

Um dia, mais um dia se passou

Dentro de casa nada mudou

Eu invento, eu quebro, eu conserto

Eu bagunço e ao mesmo tempo limpo

Caço agulha em palheiro

Desenterro do baú

coisas que com no dia a dia não daria tempo pra olhar

Não escolho roupa para sair

Só os pijamas ficaram famosos por aqui 

O refúgio é a janela...

Sozinho eu não estou

Um dia... mais um dia se passou

E eu tentando entender o rumo que a velocidade da vida toma

Que parou o mundo...

Só aí eu percebo outra vez Ter dinheiro não compra 

A sua própria vida

Mas te faz viver um pouco a mais 

De quem pouco tem

Eu choro outra vez pedindo a Deus

Força e abrigo para quem não tem

E o pico dessa droga passe logo

para eu poder sair

Mesmo aos poucos acostumando dentro de casa

Preciso sair

Para ver o sol

Reunir com as melhores pessoas

Tomar um vinho bom

Escolher uma roupa

Enquanto isso não chega vou tomar meu café 

Ficar na janela

Por meu pijama listrado e contar as estrelas 

Olho o céu para ver se todas elas estão no mesmo lugar

Só assim eu vou poder sonhar e em um dia acordar 

E ouvir nos noticiários

Que o mundo está curado

Para eu poder sorrir

Chorar de felicidades

Dar pulos de alegria e matar a saudade

Das pessoas que ficaram e lembrar sempre 

Das pessoas guerreiras que se foram.

Felipe Augusto Santos Pereira

Projeto Cantinho da poesia no Expresso Paratinga.

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