A rivalidade marcante do século xx foi protagonizada por dois
sambistas, Noel Rosa e Wilson batista. O
palco dessa disputa foi boate no dancing Apolo situado no bairro da Lapa na cidade Rio de
janeiro. O ambiente era frequentado pelos dois compositores, Noel Rosa já se destacava no universo do samba carioca
,com apenas 18 anos em 1929 lançou a canção “com que roupa” ,sua terceira obra
. Quatro anos depois , surgia um rapaz de campo dos Goytacazes interior do
estado ,com canção “lenço no pescoço”
LENÇO NO PESCOÇO – 1933
(Wilson Batista)
Meu chapéu do lado
Tamanco arrastando
Lenço no pescoço
Navalha no bolso
Eu passo gingando
Provoco e desafio
Eu tenho orgulho
Em ser tão vadio
Meu chapéu do lado…
Um estilo de se vestir que era considerado típico de
“malandro” por alguns críticos da alta
classe carioca . Seus caminhos se cruzaram com mais intensidade em 1933 , com
sucesso de Wilson “desacato”, algo que fizeram Noel notar que jovem do interior
começava a mostrar serviço.
Até esse momento não
havia uma rivalidade explícita ,todavía o verdadeiro desacato viria a aflorar depois que Wilson batista
ganhara o coração de uma moça dançarina do Dancing apollo , a mesma
dama que Noel andara assediando.
Na tentativa de baixar a bola de Wilson, Noel compôs o
samba “rapaz folgado “
Em que detonava, por meio de versos , a insolência de
“Lenço no pescoço”:
RAPAZ FOLGADO – 1933
(Noel Rosa)
Deixa de arrastar o teu tamanco…
Pois tamanco nunca foi sandália
E tira do pescoço o lenço branco,
Compra sapato e gravata,
Joga fora essa navalha
Que te atrapalha.
Sem saber, que estava colocando lenha na fogueira: era tudo
o que o cavador Wilson Baptista podia querer .Batendo na caixinha de fósforos e
escrevendo a letra em papel de maço de cigarro, Wilson compôs a tréplica logo
em seguida, intitulada Mocinho da Vila:
MOCINHO DA VILA – 1934
(Wilson Batista)
Se não quiser perder o nome,Cuide do seu
microfone, E deixe quem é malandro em paz.Injusto é seu comentário,Fala de
malandro quem é otário,Mas falando não se faz.
Eu, de lenço no pescoço,
Desacato
E também tenho o meu cartaz
Em “Feitiço da Vila”, lírica parceria com Vadico gravada no
ano seguinte por João Petra de Barros, Noel parece redimensionar o orgulho de
Wilson – “modéstia à parte, eu sou da Vila
“É a nossa Vila
O berço dos folgados;
Não há um cadeado no portão
Porque na Vila não há ladrão”
A batalha do samba carioca tornou -se mais intensa ,pois
jovem compositor , percebendo a evidência de Noel,para se destacar nesse
cenário de composição escreveu ,”Conversa Fiada:
CONVERSA FIADA – 1935
(Wilson Batista)
É conversa fiada
Dizerem que o samba
Na Vila tem feitiço.
Eu fui ver pra crer
E não vi nada disso.
A Vila é tranquila,
O contra-ataque tinha que ser a altura, então Noel lançou ,”Palpitte infeliz “ .
PALPITE INFELIZ – 1935
(Noel Rosa)
Quem é você que não sabe o que diz?
Meu Deus do céu, que palpite infeliz!
Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira,
Oswaldo Cruz e Matriz
Que sempre souberam muito bem
Que a Vila não quer abafar ninguém,
Só quer mostrar que faz samba também.
O encontro e a amizade
Alheio àqueles que queriam ver o circo pegar fogo, Noel resolveu emendar o ditado: mesmo podendo com o “inimigo”, juntou-se a ele. Encontrando Wilson por acaso num café no centro da cidade (uns dizem que foi no Café Club, outros no Leitão), tomou a iniciativa de fazê-lo seu parceiro. O que, para prejuízo de todos nós, aconteceu essa única vez. A partir da melodia de “Terra de cego”, Noel criou uma nova letra, mudando o nome do samba de Wilson para “Deixa de ser convencida”. “Todos sabem qual é teu velho modo de vida”, diz um trecho da parceria. O recado tinha destino certo: uma certa morena do Dancing Apollo, página virada na vida de ambos.
Fonte (https://outraspalavras.net/outrasmidias/historica-polemica-musical-entre-wilson-batista-noel-rosa/) 11/09/2012
Em 1937, quando soube da morte de Noel, Wilson (ainda em
São Paulo) fez um samba em homenagem ao colega, chamado “Grinalda”. Cantou-o em
rádio, mas nunca chegou a gravá-lo. Até falecer em 1968, reverenciou Noel como
um ídolo em dezenas de entrevistas.
IGOR KANARIO X CHICLETE FERREIRA: TRETA NO PAGODÃO
Um dos embates marcantes
no meio musical na contemporaneidade, parou a Bahia há
mais de 14 anos, no qual os dois
personagens envolvidos foram os
intérpretes do gênero musical oriundo do samba de roda do recôncavo baiano,
o pagodão. Os personagens dessa polêmica, os vocalistas (Anderson machado de Jesus)
nome artístico Igor Kannário, na época vocalista da banda a Bronkka.
Do outro lado
(Danilo Ferreira Trindade) popularmente
conhecido como Chiclete Ferreira, que nesse fatídico ano de 2010 cantava pela banda No styllo.
Não há uma explicação contundente sobre o pivô dessa briga,
ou que levou os dois a alimentarem essa rivalidade, dentre um dos boatos é que eles já foram amigos, e que Chiclete ia aos shows de Igor no começo da carreira e o tinha como sua inspiração.
Mas foi em 2011 que batalha chegou à TV local, repercutiu sites de fofoca, até mesmo em músicas, que claramente tinham o contexto de indireta ou resposta entre os dois artistas.
Um dos cenários dessa contenda foi no famoso programa veiculado na tv
Aratu afiliada SBT, o universo axé, apresentado por Alex Lopes, naquela
ocasião o então comunicador, indiretamente ou diretamente apimentou ainda mais essa briga, pois deu espaço no seu programa para os cantores se pronunciarem a respeito dos assuntos, toda vez que os mesmos se
apresentavam na emissora.
Em uma dessas oportunidades Chiclete, falou abertamente ao
vivo sobre kannário, “que se precisasse
resolver alguma pendência” com o mesmo viesse á falar frente a frente, os dois afirmarm terem
se agredidos fisicamente, o cantor da No styllo relatou que teria dado um soco na boca de kannário, já o vocalista da Bronkka por sua
vez contestou essa versão dizendo que somente ele agrediu sem
nenhuma reação do seu rival.
De acordo com Igor,
nascido no bairro da Liberdade, esse desentendimento se deu pelo fato que o
cantor do Bairro de Pirajá, da periferia
de Salvador, o imitava e copiava seu
estilo,de cantar.
Alguns fãs se questionavam na época se esse conflito era real, há uma parcela que apontava tudo isso como marketing, que de alguma forma contribuiu para os dois na ascensão dentro mercado da música baiana respectivamente nos anos seguintes.
Nos palcos e nas
canções , foram muitas as indiretas , e não se
sabe ao certo quem começou a compor as músicas
que continham esse um conteúdo hostil nos versos, o amigo leitor verá a seguir as
composições, que por vezes demonstravam
um tom apelativo de caráter
violento e ao mesmo tempo sarcástico.
A primeira música
que deixou explícito esse confronto foi a canção do grupo A bronkka , no qual os versos claramente se dirigiam a Chiclete
É Bronkka
A Bronkka
Nãoo posso fazer nada
Por você se me vê na revista e na tv, na capa
de cd e
Dvd, o meu som escutando com prazer, tô no
trio ou no
Palco vem pra que ?, o povo me adora e não
você,
E
Tudo o que eu faço quer fazer, nunca da o seu
braço a
Torcer, tá querendo me botar pra baixo
ótario.
[refrão] iai vei é bronkka, iai vei é
bronkka, iai vei
É bronkka, iai vei é bronkka, iai vei é
bronkka, iai
Vei é bronkka, iai vei é bronkka.....nem vem,
nem vem,
A Resposta veio em seguida com a música que ridicularizava
seu codinome kannario ,e o comparava com
outra espécie de pássaro ( o papa capim )
Papacapim
No Styllo
Olha que eu lembro de você quando não sabia o
que era
Tv nem tinha gravado o cd muito menos dvd 2x
Então essa foi feita pra você
Mais tá na onda por causa de mim mas canta
tão baixo
Esse pacapim tá na onda por causa de mim mais
Infelizmente vai ter que Engolir 2x
Faça o seu faço o meu faço meu faça o seu negao
4x
A tréplica da Bronkka foi em referência a autenticidade
duvidosa do seu antagonista, e o acusava
de um mero imitador .
Você que é o Descarado,
(A BRONKKA)
Tá Ligado, tá Ligado, tá Ligado, tá Ligado
Você que
É o Descarado,
Tá Ligado, tá Ligado Você que é o Derrubado .
Ivite Sangalo é Original, Carlinhos Brown é
Original,
A Margareth é Orginal e o Durval é Original .
Eu Faço meu som porque o som é Bacana,
Chiclete se
For com banana.
Esse foi apenas o “pino da granada” consequentemente o contra-ataque veio na canção, um tanto
quanto apelativa.
Quer banana tome!
NO STYLLO
Eu disse muito obrigado otário
Eu vim lhe agradecer
Tá me dando ibope agora
Depois que me viu na TV
Mas fiquei chateado
Você era um cara bacana
Te dei doce sorvete chiclete
Mas você só pedia banana
Quer banana tome!
Quer banana tome!
Tome que tome que tome!
O leitor deve está achando esse enredo pesado, no entanto, essas farpas teve momentos ímpares, na capital baiana, como mostra um vídeo amador nele ocorreu o encontro dos dois cantores no circuito do carnaval de salvador, cada um puxando seu trio elétrico. Eles estavam frente a frente, talvez aí o encontro mais esperado, uma que por tradição quando os trios se encontram na avenida, os artistas se cumprimentam, fazem dueto, mas nesse dia o que se viu foi uma batalha musical, um verdadeiro “UFC” da música, para ver qual som oprimia o outro. O fato é que a grande imprensa da Bahia não repercutiu esse momento, portanto não há conclusões precisas do que ocorreu neste evento.
União “empoderamento da favela”
Nos anos
subsequentes , houve um esfriamento dessa rixa, porque os dois quando apareciam na tv evitavam falar sobre assunto,
ai veio o ano de 2018 com ele o projeto “empoderamento
da favela um projeto que envolvia Edcity
, Igor Kannário e Chiclete , que juntos lançaram a música “É tudo ou
nada”, uma união quase inimaginável para quem acompanhou toda a história,o fato é que essa parceria rendeu até reportagem de tv na
rede Bahia do mesmo ano. E no carnaval de 2018
no circuito do Campo Grande , o público pode ver os dois abraçados puxando a famosa pipoca do kannário.
Essa parceria só pode ser presenciada naquele ano, pois atualmente os envolvidos estão afastados, aquela
tentativa de aproximação do tal projeto
não foi adiante. Em algumas entrevistas
nos podcasts da capital, os dois confirmaram que não há nenhum vínculo e
ainda em suas falas expõem suas justificativas e críticas entre eles, mostrando que não há espaço para um
clima amistoso.
Em pleno 2022
E em pleno 2022, ano de eleição, o então deputado federal igor Kannario , perdeu a corrida eleitoral deste ano, e Chiclete soltou a seguinte indireta nas redes sociais com uma de suas músicas “Perdeu pai”, e os fãs logo repercutiram esse fato, no que parece ser um momento nostálgico do pagode baiano, seria esse o retorno da antiga rivalidade? Entretanto cabe à nação pagodeira aguardar os próximos capítulos dessa novela soteropolitana. O expresso Paratinga estará atento á essa trama, obviamente sem compactuar com a violência, somente no intuito de manter informados os amantes do ritmo percussivo baiano.
Jornalista Tony Pedroso / Expressoparatinga.com
*Curtiu nosso site independente? Ajude com um Pix e fortaleça o Expresso Paratinga. Chave Pix: expressoparatinga@gmail.com.



.jpg)
CONVERSATION